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TCU informa que 1/3 dos apagões entre 2005 e 2012 foram causados por queimadas ou raios

Investigação feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em uma amostra de 46 apagões registrados no país entre 2005 e 2012 aponta que um terço deles foi causado por fenômenos naturais, como ventos e raios, ou então por queimadas e vegetação alta que atingem as redes de transmissão de energia. Como causas secundárias, em 63% dos casos, são apontadas alhas em equipamentos de proteção do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A análise levou em conta apenas desligamentos SIN, que é a rede de alta tensão que conecta todo o país e permite a troca de energia entre as regiões.
De acordo com o TCU, mais de duas mil perturbações, de todos os portes, são registradas todos os anos nessa rede. Para permitir o estudo, foram selecionadas 46, com ênfase para aquelas que provocaram maior impacto.
Os eventos selecionados, segundo o relatório, contemplam todas as regiões do país. Dos 46 destacados, 19 são de grande magnitude (acima de 1.000 megawatts de corte de energia), 11 com corte entre 500 e 1.000 MW, 9 com corte de carga entre 200 e 500 MW e 7 eventos com corte de carga abaixo de 200 MW.
Para se ter uma ideia, um apagão de 200 MW pode atingir 730 mil habitantes. Já outro em que se interrompe o fornecimento entre 1.000 MW e 5.000 MW de energia pode deixar no escuro cerca de 3,5 milhões.
Ventos, raios, queimadas e vegetação alta foram apontados como a causa raiz em 35,3% dos 46 apagões. A conclusão sobre o que gerou os apagões é de órgãos do setor elétrico consultados pelo tribunal, entre eles o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Um dos exemplos analisados foi o apagão que ocorreu em 10 de novembro de 2009 e atingiu 50 milhões de pessoas em 18 estados brasileiros. Quatro deles – São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo – foram afetados na totalidade. As investigações apontaram que a chuva forte e raios registrados naquele dia, entre São Paulo e Paraná, foram responsáveis pelo corte que chegou a 28,8 mil MW de energia.
Falhas em equipamento de potência foram a origem do apagão em 20,59% dos casos analisados. Acidentes ou falhas em linha de transmissão ou subestação responderam por 14,71%.
Em 63% dos casos, diz o relatório, falhas em equipamentos de proteção do SIN foram apontadas como causa secundária dos apagões. Segundo o tribunal, o mau funcionamento desses equipamentos pode estar associado “ao conhecido ‘efeito-dominó’ nessas perturbações”.
Isso significa que, se os sistemas de proteção tivessem funcionado corretamente, poderiam ter evitado que o apagão se alastrasse e atingisse uma quantidade maior de consumidores.
“Nesse sentido, revigora-se a ideia de se investir cada vez mais nos programas empregados para se antecipar a tais eventos com a tempestividade adequada e, além disso, projetar as contingências do SIN de maneira a minorar os efeitos negativos dessas causas”, diz o documento.
O tribunal aponta, porém, que a maior preocupação está nos blecautes que resultam de queimadas ou vegetação alta, que atingem a rede de energia. De acordo com o relatório, há necessidade de se investir mais em recursos de infraestrutura que propiciem a detecção mais rápida das queimadas.
Em agosto de 2013, um apagão deixou 9 estados do Nordeste às escuras. Ele foi causado, segundo o governo, por uma queimada no interior do Piauí que atingiu duas redes de transmissão e provocou o corte de 10,9 mil MW.
Segundo TCU, é preciso avaliar a eficácia de redundâncias utilizadas no setor justamente para evitar esses desligamentos. Um dos exemplos é a passagem de dois conjuntos de cabos por uma mesma torre (quando um conjunto falha, o outro deveria manter o fornecimento de energia). Para o tribunal, em muitos casos essa proteção não funciona porque os dois cabos estão muito próximos um do outro.
“Isso porque, por tratarem-se de eventos localizados, um raio ou uma queimada pode comprometer simultaneamente a linha com carga e a sua respectiva contingência.”
A poda total da vegetação próxima a essas redes, na visão do TCU, seria a solução “ideal” para se evitar apagões causados por queimadas. Entretanto, o órgão admite que essa medida é “impraticável atualmente do ponto de vista ambiental e que, portanto, impõe à assunção de mais riscos de operação nesses empreendimentos”.
Procurado pelo G1, o Ministério de Minas e Energia disse que não comentaria o assunto, pois ainda não havia sido notificado pelo TCU sobre o conteúdo do relatório. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também informou que ainda não recebeu formalmente o acórdão do tribunal.
O ONS, por meio de sua assessoria de imprensa, enviou ao G1 o link para seu relatório anual, de 2013. O documento aponta, entre as ações para evitar os apagões, a identificação de instalações (usinas, redes de transmissão e subestações) consideradas estratégicas pois, se atingidas por um problema, podem gerar um blecaute de grande impacto.
Após identificadas essas instalações, são realizadas, segundo o ONS, ações para aprimorar o conhecimento sobre a região em que elas se localizam, entre elas a meteorologia e incidência de queimadas, de modo a preparar os agentes a agirem para restringir os riscos de que esses eventos as afetem.
Outras medidas listadas são: proposta de melhorias da segurança em um conjunto de subestações e realização de testes em sistemas de proteção do SIN, que podem evitar o chamado “efeito dominó” quando ocorre um corte de energia.

 

Fonte: De Olho no Tempo

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