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O futuro do setor elétrico e raios na Amazônia

 O setor de transmissão de energia elétrica mundial passa por um novo desafio, associado às mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global. O nosso planeta aqueceu 0,6 graus nos últimos 30 anos e pode vir a aquecer de 2 a 8 graus até o final do século. 

 A situação é agravada pelas evidências acumuladas na última década que indicam que os eventos extremos, tais como furacões, ondas de calor e tempestades severas, associadas a vendavais, tornados e altas taxas de incidência de raios, estão se tornando mais frequentes em todo o planeta. Dados preliminares referentes ao próximo relatório do IPCC, previsto para ser divulgado no segundo semestre deste ano, deverão não só confirmar tais evidências como mostrar que a situação tende a se agravar.

 Os maiores indíces de tempestades no mundo estão no Brasil, são cerca de 500.000 tempestades por ano, sendo que as tempestades severas equivalem a 1 %. As tempestades severas, que são acompanhadas de ventos com intensidades acima de 100 km/h e/ou altas taxas de descargas nuvem-solo, são capazes de causar desligamentos permanentes em linhas de transmissão. Estima-se que para cada grau de aumento de temperatura ocorra um aumento de cerca de 10% no número de tempestades, e, além disso, as tempestades podem se tornar ainda mais intensas. Observações recentes mostram que a preocupação com a intensificação destas tempestades já faz parte da realidade. 

 No Brasil, a região onde é esperado maior aumento de temperatura devido ao aquecimento global é a Amazônia, onde estima-se um aumento de temperatura, até o final do século, duas vezes maior que o aumento global. Por outro lado, exatamente nesta região está em andamento a expansão do sistema de hidrelétricas – principal fonte de energia no Brasil. As novas hidrelétricas irão precisar de longas linhas de transmissão, com milhares de quilômetros, para levar a energia aos principais centros consumidores.  

 A este cenário preocupante soma-se o cenário atual de dificuldades energéticas. Ao mesmo tempo, seria um grande engano pensarmos que estas linhas terão proteção contra descargas e ventos intensos, pois não sabemos quais são as intensidades extremas nesta região. Sem falar na velha dificuldade de obtenção de recursos para manutenção, pois na maioria das vezes essas ações não trazem o retorno político imediato para os agentes envolvidos.

 As evidências mencionadas tornam-se fundamentais para que as empresas concessionárias de transmissão de energia busquem soluções em parceria com o Governo Federal. Tais soluções visam minimizar os investimentos das empresas e, ao mesmo tempo, devem assegurar uma qualidade de serviço ao cidadão condizente com os avanços tecnológicos que todos nós almejamos para as próximas décadas. É necessário estabelecer novas técnicas de monitoramento e previsão destes fenômenos, que trarão como consequências uma nova logística de operação do sistema e um arcabouço regulatório que permitirá às empresas colaborarem mutuamente para a solução do problema. Dentre estas técnicas, as redes de detecção de descargas atmosféricas nuvem-solo e nuvem-nuvem destacam-se por uma mais ampla cobertura espacial, maior resolução temporal e maior facilidade de operação em condições adversas como as encontradas na Amazônia. Essas redes permitem identificar quais tempestades são severas e monitorá-las com alta precisão, permitindo antecipar ações que visem o restabelecimento do sistema de forma mais rápida. Com isto, as interrupções de energia em grande escala – os chamados blackouts – serão mais curtas, causando um menor impacto sobre a sociedade.

 Se por um lado a solução técnica é evidente e precisa de recursos relativamente pequenos – algo em torno de cinco milhões de reais – por outro, a solução política é bastante difícil, precisando superar a demagogia que se sustenta na falta de informação. Mais uma vez teremos que sofrer as consequências para só então agirmos?

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