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Supercâmera lenta grava imagens de raios ascendentes em São Paulo

O grupo de pesquisadores do Elat registrou em janeiro, pela primeira vez no Brasil, a ocorrência desse tipo de raio originado por estruturas altas, como torres de telecomunicação ou para-raios de edifícios altos que, em função de suas altitudes, podem concentrar em seus topos grande quantidade de carga elétrica induzida e de sinal oposto à carga da base de uma nuvem de tempestade.
Por meio de um sistema de detecção adquirido com apoio da FAPESP, que conta com uma câmera de alta velocidade capaz de registrar 4 mil quadros por segundo, os pesquisadores gravaram no início de 2012, durante uma tempestade, a formação de quatro raios ascendentes, partindo de uma torre de transmissão de 130 metros no Pico do Jaraguá, onde ocorrem, praticamente, três vezes mais raios do que no restante da cidade.
No início de março, voltaram a registrar a ocorrência de mais três raios ascendentes, originados do mesmo ponto da primeira observação, em apenas 7 minutos – o que é considerado um número muito alto, principalmente quando considerado o curto intervalo de tempo.
Em julho, durante uma tempestade de inverno, registraram mais um raio ascendente, que partiu de uma das torres de telecomunicações instaladas no Pico do Jaraguá. 

No dia 23 de outubro, durante uma tempestade em São Paulo, os pesquisadores registraram nove raios ascendentes em um intervalo de apenas 37 minutos também no Pico do Jaraguá. A sequência de descargas elétricas em um curto intervalo de tempo provocou um princípio de incêndio em um dos equipamentos instalados no local.
“Essa frequência de raios ascendentes em uma mesma estrutura é muito superior à observada em outros lugares no mundo. Em Rapid City, em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, por exemplo, onde também foram instaladas câmeras de alta velocidade para registrar a ocorrência de raios ascendentes desencadeados por dez torres de telecomunicação instaladas no local, foram registradas cinco descargas atmosféricas desse gênero nos últimos dois anos”, disse Saba.
De acordo com Saba, ainda não se sabe por que o Pico do Jaraguá registra um número de raios ascendentes maior do que a média de outros lugares no mundo e o que favorece a formação desse tipo de descarga elétrica. “Algo de especial, que ainda não foi descoberto, ocorre na tempestade que favorece a ocorrência rápida e sequencial de raios para cima”, disse.
O grupo do Elat observou que, enquanto o impacto de um raio descendente é mais distribuído – metade das descargas toca pontos diferentes no solo –, o dos raios ascendentes acaba sendo sempre em um mesmo ponto, o de partida, que pode ser uma torre de televisão ou celular, por exemplo. E que essas descargas atmosféricas podem ocorrer em intervalos muito curtos de tempo, de um minuto ou menos.
“Isso é algo extremamente preocupante para os sistemas de proteção convencionais, que foram projetados para raios descendentes”, disse Saba.

 Assista a reportagem no G1

Fonte: Elat

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