MUDANÇAS NOS MATERIAIS PARA CAPTAÇÃO, MASTROS E DESCIDAS NÃO NATURAIS NA NBR 5419-3:2026

A proposta da ABNT NBR 5419-3:2026 apresenta alterações relevantes na tabela de especificações mínimas para condutores de captação, mastros e condutores de descida não naturais. O que era apresentado como Tabela 6 na edição 2015 passa a ser tratado como Tabela 7 na revisão 2026, com ajustes importantes em nomenclatura, seções mínimas, dimensões de referência e critérios de aplicação.

Seguindo a linha das análises técnicas publicadas pela Montal, destacamos abaixo as principais diferenças entre as duas versões e os impactos práticos para projetos de SPDA.

COMPARAÇÃO ENTRE AS TABELAS

Norma ABNT NBR 5419-3:2015 – Tabela 6

Norma ABNT NBR 5419-3:2026 – Tabela 7

Como é na NBR 5419-3:2015 – Tabela 6

A tabela anterior tratava os materiais, configurações e áreas mínimas dos condutores de captação, hastes captoras e condutores de descidas com foco principal em seção dos condutores e comentário citando as dimensões.

Como é na nova NBR 5419-3:2026 – Tabela 7

A primeira mudança a ser notada é seu título, a tabela passa a ser chamada: “Material, configuração  e área de seção mínima dos condutores de captação, dos mastros e dos condutores de descidas não naturais. A adequação deixa a aplicação mais objetiva, alterando hastes captoras por mastros, abrangendo mais soluções e separando os elementos naturais tratados em outros itens da norma, antes especificado somente em “NOTA 2” na edição de 2015.

Além disso, a nova tabela também amplia as especificações, incorporando valores mínimos de seção e dimensão dos condutores e normas aplicáveis por material/configuração do material.

Coluna – Material

Alguns materiais tiveram a nomenclatura e rigor normativo alterado na seção coluna de materiais, dentre eles estão:

  • “Aço cobreado IACS 30%” passa a ser somente “Aço cobreado”.
    • Sendo especificado a condutividade elétrica somente nas normas aplicáveis, e para a configuração “encordoado”, além da norma aplicável, é especificado o item “f”.
  • “Alumínio cobreado IACS 64%” passa a ser somente “Alumínio cobreado”.
    • Segue o mesmo critério do aço cobreado e para a configuração “encordoado”, além da norma aplicável, é especificado o item “e”.
  • “Aço galvanizado a quente” passa a ser “Aço zincado a quente”.
    • Esta mudança foi apenas por terminologia, não sendo afetado o processo do material.
    • “Galvanizado a quente/fogo” = termo mais tradicional e amplamente usado no mercado brasileiro.
    • “Zincado a quente” = termo técnico e alinhado com a composição do revestimento (zinco).
  • “Aço inoxidável” passa a ser somente “Aço inox”.
    • Mudança de nomenclatura sem alteração dos requisitos dimensionais apresentados na tabela.
Coluna – Configuração

A nova redação deixa a nomenclatura mais comum à linguagem de fabricação e técnica.

Principais mudanças:

  • Formalização na nota “h” em “encordoados”, para uso de encordoamento com 7 fios (porém com recomendações das nomas aplicáveis).
  • Melhor definição para elementos tubulares, com as configurações “cilíndrico maciço”, “captores verticais maciços” e “captores verticais tubulares”.
    • “Arredondado maciço” passa a ser “Cilíndrico maciço”.
    • “Arredondado maciço 200 mm²” passa a ser “Captores verticais maciços”.
      • Seção mínima de 200mm² e diâmetro mínimo de 16mm (com ressalvas no item “a”).
    • Inclusão dos “Captores verticais tubulares”.
      • Seção mínima de 100 mm², espessura mínima 1,2 mm, aplicável para cobre, alumínio, aço zincado e inox (com ressalvas no item “a”).
Coluna configurações
NBR 5419-3:2026
Tabela 7
Coluna – Seção mínima (mm²)

Além das mudanças de nomenclatura, alguns materiais tiveram revisão direta em sua seção mínima.

Principais destaques:

  • Aço cobreado (cilíndrico maciço e encordoado):
    • NBR-5419:2015: seção mínima 50 mm²
    • NBR-5419:2026: seção mínima 35 mm²
  • Aço inox (encordoado):
    • NBR-5419:2015: seção mínima 70 mm²
    • NBR-5419:2026: seção mínima 50 mm²
Na NBR-5419:2026 ambos são
admitidos para captação e descidas do SPDA
Coluna – Dimensões mínimas de referência

O campo “Comentários” da versão 2015 evolui para uma coluna de dimensão mínima de referência (mm).

Principais atualizações:

  • Cobre:
    • Cilíndrico maciço: 6 mm → 6,7 mm.
  • Aço cobreado:
    • Cilíndrico maciço: 8 mm → 6,7 mm.
Coluna – Normas aplicáveis por material

Outra alteração é a chegada da coluna “Normas Aplicáveis”, sendo ela responsável pela inclusão explícita das normas de fabricação e ensaios dos materiais. Sendo elas:

Cobre: ABNT NBR 16462, ABNT NBR 5349, ABNT NBR 6524

Alumínio: ABNT NBR ISO 209 e ABNT NBR 7271

Aço cobreado: ABNT NBR 8120, ABNT NBR 8121, ABNT NBR 13571

Alumínio cobreado: ABNT NBR 16219, ABNT NBR 16362

Aço zincado a quente: ABNT NBR 7007, ABNT NBR 6323, ABNT NBR 16730

Aço Inox: ABNT NBR 5601

Confira no website da ABNT as normas em referência

ABNT Catálogo
Notas e observações

As notas e observações foram totalmente alteradas, seja o local de uma nota em específico ou o conteúdo dela, abaixo listamos todas as alterações que foram feitas:

  • Nota “a”:
    • Norma NBR 5419:2015:
      O recobrimento a quente (fogo) deve ser conforme ABNT NBR 6323.
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que em aplicações onde os esforços mecânicos não forem críticos (ex: vento), é permitida a utilização de elementos com diâmetro mínimo de 9,5 mm, comprimento máximo de 1 m. Caso contrário, deve ser realizado dimensionamento mecânico conforme ABNT NBR 6123.
  • Nota “b”:
    • Norma NBR 5419:2015:
      Aplicável somente a minicaptores com limitação de dimensão e condição de esforço mecânico.
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que o material deve possuir composição AISI 304 ou superior.
  • Nota “c”:
    • Norma NBR 5419:2015:
      Define composição química do aço inox (cromo 16%, níquel 8%, carbono 0,07%).
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que as dimensões indicadas na tabela são valores de referência,a tolerância deve ser verificada conforme as normas aplicáveis, ou na ausência destas medidas é estabelecido uma tolerância de 5% da seção nominal.
  • Nota “d”:
    • Norma NBR 5419:2015:
      Define que as dimensões indicadas (espessura, comprimento e diâmetro) são valores mínimos, com tolerância de 5%, exceto para fios de cordoalhas (2%).
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que condutores de alumínio devem ser fabricados com condutividade mínima de 50% IACS.
  • Nota “e”:
    • Norma NBR 5419:2015:
      Define que a cordoalha cobreada deve ter condutividade mínima de 30% IACS.
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que cordoalha de alumínio cobreado deve ter condutividade mínima de 64% IACS.
Itens adicionais introduzidos na 2026
  • Nota “f”:
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que cordoalha de aço cobreado deve ter condutividade mínima de 30% IACS.
  • Nota “g”:
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que quando o aço inoxidável for instalado sobre ou a menos de 10 cm de material combustível, devem ser seguidas recomendações específicas da norma (item 5.3.4).
  • Nota “h”:
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Passa a estabelecer que é aceito o encordoamento com 7 fios para condutores.
Notas gerais
  • NOTA 1
    • Norma NBR 5419:2015:
      Condutores em contato com o solo devem atender às prescrições da tabela de aterramento.
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      Esse critério passa a ser tratado diretamente na NBR-5419-3:2026 Tabela 8 (antiga Tabela 7) “Material, configuração e dimensões mínimas de eletrodo de aterramento não naturais”, não sendo especificado mais como nota da tabela.
  • NOTA 2
    • Norma NBR 5419:2015:
      A tabela não se aplica a elementos naturais do SPDA.
    • Nova norma NBR 5419:2026:
      O conceito permanece, porém é abordado no título da tabela (“Material, configuração  e área de seção mínima dos condutores de captação, dos mastros e dos condutores de descidas não naturais”), não sendo especificado mais como nota da tabela.
Considerações finais

A proposta da ABNT NBR 5419-3:2026 apresenta uma reformulação significativa da antiga Tabela 6 da edição 2015, tanto em estrutura quanto em critérios técnicos associados aos materiais e configurações dos componentes de captação e descida do SPDA.

As alterações envolvem mudanças de nomenclatura, reorganização das configurações dos condutores, revisão de seções mínimas, redefinição das dimensões de referência e inclusão de uma coluna específica para normas aplicáveis aos materiais. Além disso, a nova edição redistribui e reformula integralmente as notas técnicas associadas à tabela, alterando o escopo de diversos itens existentes e introduzindo novos requisitos relacionados a condutividade elétrica, critérios mecânicos, tolerâncias dimensionais, composição dos materiais e condições de instalação.

Outro ponto observado é a separação mais objetiva entre elementos naturais e não naturais do SPDA, além da formalização de configurações anteriormente não especificadas de maneira direta, como os captores verticais tubulares e o uso de encordoamento com 7 fios.

De forma geral, a nova Tabela 7 passa a consolidar critérios dimensionais, elétricos, mecânicos e construtivos em uma estrutura mais abrangente, vinculando diretamente os materiais às suas respectivas normas de fabricação e aplicação.

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