A publicação da ABNT NBR 5419:2026 trouxe mudanças importantes nos critérios de especificação dos materiais utilizados nos Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Entre essas alterações destacamos as seções aplicáveis aos condutores de captação, descida e aterramento para os condutores de aço cobreado.
Essa atualização implica numa questão prática para projetistas, instaladores e especificadores, visto influenciar diretamente no custo do SPDA.
SOBRE O AÇO COBREADO NA NBR 5419
Inicialmente, lembramos que o cabo de aço cobreado é fabricado a partir do encordoamento de sete fios de aço revestidos por camada de cobre unida ao aço por meio do processo de caldeamento contínuo.
Este condutor foi uma novidade introduzida na norma NBR 5419 na versão de 2015, nas tabelas de especificação de materiais do PDA destinados aos condutores de captação e de descida não naturais, assim como para uso no eletrodo de aterramento.
Na versão de 2026 foi mantida a exigência de condutividade mínima de 30% IACS e complementada com a informação que este tipo de condutor deve atender à norma ABNT NBR 8121 – Cabos de fios de aço revestidos.
Na nova Tabela 7 da ABNT NBR 5419-3:2026, que especifica materiais para captação e descidas, na configuração encordoada, a norma estabelece seção mínima de 35 mm². Já na tabela 8, materiais para aterramento, a seção mínima é 50 mm². Em ambas as tabelas, a nota “h” formaliza a aceitação do encordoamento com 7 fios para os condutores.

Tabela 7 – NBR 5419:2026

Tabela 8 – NBR 5419:2026
A recente edição da norma equipara as seções do aço cobreado às seções do tradicional cabo de cobre, equiparação essa que torna mais viável a utilização de cordoalhas de aço cobreado, desde que atendidos os requisitos dimensionais, elétricos e construtivos aplicáveis.
CABOS DE AÇO COBREADO COMERCIALIZADOS PELA MONTAL

A Montal disponibiliza cabos de aço cobreado com condutividade de 30% IACS, fabricados com 7 fios de aço baixo carbono revestidos com cobre, atendendo as especificações previstas na NBR-5419/26 e na NBR-8121, conforme tabela a seguir:
| Código Montal | Seção nominal | Construção | Diâmetro nominal |
| MON-259 | 35 mm² | 7 × 2,50 mm | 7,50 mm |
| MON-260 | 50 mm² | 7 × 3,00 mm | 9,00 mm |
| MON-261 | 70 mm² | 7 × 3,45 mm | 10,35 mm |
Na aplicação prática, o MON-259 seção de 35 mm² é compatível para os subsistemas de captação e descida, enquanto o MON-260 e MON-261, seções de 50 mm² e 70 mm², são normalmente empregados em eletrodos de aterramento.
É importante destacar que a seção do condutor não deve ser escolhida isoladamente. A definição do material deve considerar o subsistema do SPDA, as condições de instalação e os demais requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 5419.
SOLDA EXOTÉRMICA APLICADA NO AÇO COBREADO
Essa conexão é possível? A resposta é sim! A solda que é a formada por cobre é compatível com cabos de aço cobreado. Essa dúvida é comum devido a tradição e cultura do uso da soldagem exotérmica em condutores de cobre e a presença do aço como elemento novo na soldagem. A soldagem funciona normalmente não ocorrendo problemas de corrosão e incompatibilidade. A mesma especificação de modelos e seções dimensionais dos moldes de grafite usados nas conexões em cabo de cobre são válidas para o aço cobreado.

A conexão por solda exotérmica deve ser especificada considerando o tipo da conexão (x, t, emenda, cabo-haste, etc); a seção e dimensões dos condutores; quando aplicável, o elemento conectado; e a carga de solda correspondente.
Esse cuidado na identificação destas informações preliminares é fundamental para a correta especificação. A solda exotérmica não é definida apenas pelo material do condutor. O conjunto formado por molde + carga + condutores + tipo de conexão precisa ser adequado à aplicação.
ESPECIFICAÇÃO CORRETA DOS MOLDES E ACESSÓRIOS DE SOLDA EXOTÉRMICA
Na execução de uma solda exotérmica, o molde deve proporcionar o correto posicionamento dos elementos que serão unidos e permitir que a reação ocorra de acordo com a especificação da conexão.
Por esse motivo, não é recomendável realizar adaptações num molde ou utilizar cargas diferentes daquelas especificadas para determinada conexão.
A escolha deve partir da tabela de conexões e especificações indicadas no catálogo de SOLDA EXOTÉRMICA MONTAL, identificando:
- o tipo de conexão (TA, GY, XB, SS, etc);
- os condutores / materiais envolvidos (Cabo, haste, chapa de aço, trilho ferroviário, ferro de construção, etc)
- a seção e/ou diâmetro dos condutores (mm², polegada);
De posse destas informações determinar o código do molde correspondente conforme exemplo da imagem a seguir:

Determinado e localizado código do molde em nosso catálogo ou website, verifique a numeração do pó exotérmico correspondente e o modelo do alicate que poderá ser grande ou pequeno.
Seguindo esta orientação ocorrerá sucesso na especificação dos componentes da solda exotérmica.
RESUMO
- A ABNT NBR 5419:2026 trouxe maior facilidade para a especificação de cabos de aço cobreado em sistemas de proteção contra descargas atmosféricas ao reduzir a seção equiparando as seções do cabo de cobre.
- Os cabos de aço cobreado Montal de 35 mm², 50 mm² e 70 mm², todos com construção 7 fios e condutividade de 30% IACS, são comercializados considerando os requisitos das normas aplicáveis NBR-5419/26 e NBR-8121/21.
- A solda exotérmica é compatível com os cabos de aço cobreado, tendo os seus componentes – moldes, pós, alicates – as mesmas especificações aplicáveis aos condutores de cobre.
- A correta especificação da conexão e componentes necessários a execução de uma solda exotérmica parte da consulta do CATÁLOGO DE SOLDA EXOTÉRMICA MONTAL, a partir da informação do tipo de conexão, material e seção dos condutores, e correspondente pó exotérmico e alicate.



